Sal em multidão
Percorre caminhos de homem não passante
Arrasta
Pedaços de carne da terra
Lascas de memórias de verões
Linguando canelas mirradas.
plural (latim pluralis, -e) 1. [Gramática] Forma que indica mais que um. 2. Que contém vários ou se refere a vários. s. m. 3. [Gramática] Valor da categoria número que indica a quantidade mais de um. É isso que esse blog deseja ser, mais de um conteúdo!
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Prazer
DEZ! Poderia ser uma excelente nota ao meu ato, mas é o tamanho em centímetros do rasgo em sua barriga. Talhei sem dó agarrado ao cabo frio da lâmina, lembrei do dia em que ganhei a faca, toda em metal com meu nome gravado em relevo, nasceu predestinada ao crime. Vi seus olhos recontorcendo quando cravei, a boca dele até abriu, com certeza deve ter berrado, não ouvi, estava surdo de prazer.
Inspirado em Carlos Drummond de Andrade – A Puta
Inspirado em Carlos Drummond de Andrade – A Puta
Espero, sorriso no rosto, dias dormidos, noites acessas. Alegria, do bem vivido, do mal vivido, até do novo na vida. Fantasias, que incito, que realizo, com cabelos voantes, negros, contraste vermelho do pouco que me veste. Desejos, ardores, me chamam puta, me querem, noite afora, me chamo, sua.
Espero, sorriso no rosto, dias dormidos, noites acessas. Alegria, do bem vivido, do mal vivido, até do novo na vida. Fantasias, que incito, que realizo, com cabelos voantes, negros, contraste vermelho do pouco que me veste. Desejos, ardores, me chamam puta, me querem, noite afora, me chamo, sua.
Medos
O ar impregnado de mofo, fios brancos nos cantos da parede, aquele animal cheio de pernas ditando o ritmo do ambiente. Sentado ali no sofá desgastado, uma xícara de café frio na mão, a barba branca por fazer, olhos verdes cristalinos, corpo flácido. O ânimo, inexistente, na memória um tempo que não veio, um sonho que faltou. Luz acesa, casa escura, ruídos abafados pelo silêncio. Na janela um mundo, que não conheceu, nem conhecerá.
Gaveta Superior Direita
Gaveta Superior Direita
Os painéis de madeira escura dão o tom da parede contrastando com o amadeirado claro da porta, um tapete de pelos curtos cobre a extensão da sala. Esparsos pontos de luz dourada ampliam o brilho do copo de uísque sobre a mesa, o gelo já formara gotas de suor. Em ocasiões especiais gosta de sofisticação, abrira uma garrafa que há tempos aguardava por um. Disposta próxima a parede de entrada, a mesa cor de terra, grande e larga, deixa o ambiente carregado. Sobre ela adormecem alguns papéis, um notebook com a tela brilhando e ao lado um charuto consumindo-se em uma densa fumaça. Á frente uma cadeira preta recendendo a couro e salientando seus braços metalizados com o reflexo da tela, com as costas voltadas para a vasta janela, jaz seus pés no carpete. Doze passos as distanciam, espaço preenchido pela foto de uma viaje a qual não esquecera jamais, duas estantes, em uma, troféus que perderam o brilho para a poeira, diplomas e condecorações obtidas ao longo dos anos, a outra repleta de livros sedentos por uma atenção. Absorto em seus pensamentos, junto ao vidro, ereto, cabeça firme, mãos nos bolsos, olha fixamente sem ver para os pontos de luz brilhantes da cidade aos seus pés. A água que bate na janela distorce os reflexos do mar de cimento visto da cobertura traçando formas desconexas em seu rosto sem barba. Seus cabelos ligeiramente grisalhos não demonstram sua idade, o sapato lustroso e o terno preto impecável reforçam sua silhueta projetada na parede do fundo. Ao clarão de um relâmpago cortando o céu negro, ele lembra do conteúdo da gaveta superior direita.
Os painéis de madeira escura dão o tom da parede contrastando com o amadeirado claro da porta, um tapete de pelos curtos cobre a extensão da sala. Esparsos pontos de luz dourada ampliam o brilho do copo de uísque sobre a mesa, o gelo já formara gotas de suor. Em ocasiões especiais gosta de sofisticação, abrira uma garrafa que há tempos aguardava por um. Disposta próxima a parede de entrada, a mesa cor de terra, grande e larga, deixa o ambiente carregado. Sobre ela adormecem alguns papéis, um notebook com a tela brilhando e ao lado um charuto consumindo-se em uma densa fumaça. Á frente uma cadeira preta recendendo a couro e salientando seus braços metalizados com o reflexo da tela, com as costas voltadas para a vasta janela, jaz seus pés no carpete. Doze passos as distanciam, espaço preenchido pela foto de uma viaje a qual não esquecera jamais, duas estantes, em uma, troféus que perderam o brilho para a poeira, diplomas e condecorações obtidas ao longo dos anos, a outra repleta de livros sedentos por uma atenção. Absorto em seus pensamentos, junto ao vidro, ereto, cabeça firme, mãos nos bolsos, olha fixamente sem ver para os pontos de luz brilhantes da cidade aos seus pés. A água que bate na janela distorce os reflexos do mar de cimento visto da cobertura traçando formas desconexas em seu rosto sem barba. Seus cabelos ligeiramente grisalhos não demonstram sua idade, o sapato lustroso e o terno preto impecável reforçam sua silhueta projetada na parede do fundo. Ao clarão de um relâmpago cortando o céu negro, ele lembra do conteúdo da gaveta superior direita.
Cabeça Pendida para a Direita
Cabeça Pendida para a Direita
Os cachos angelicais balançam a cada passada, a cabeça levemente pendida para o lado direito, um par de bolas azuis celestes mira o infinito, seu tênis flutua sobre a calçada desfeita, os graves sons de um dinossauro derramando concreto não lhe perturbam, ruma com uma certeza impassível para um destino ignorado, atravessa uma escolha de vida sem olhar para os lados, quando é despertado subitamente ao trocar olhares com um homem de terno que atravessa seu caminho. O homem distinto sorri complacente para aqueles olhos tristes que passam, os ouvidos calados por um fone não vêem os gladiadores berrando com o dinossauro, desvia da selva rumando pela trilha preta, com passadas largas e calmas esquiva-se das bestas motorizadas. Olha o topo dos amontoados de concreto e vê o sol se despedindo, entregando os últimos suspiros de luz. Adentra em um conjunto de ferro, aço e cimento mirando o porteiro que bebe um jornal, ao cruzar seu olhar, diz olá sem dirigir-lhe qualquer palavra e desaparece na caixa que eleva aos céus. Ao bater da porta volta seus olhos para o folhetim, esquecido por caridade de algum habitante, seus pés encerrados em sapatos de segunda linha contorcem e torcem para que termine o dia, novas criaturas passam e desaparecem pelo corredor de granito e pela caixa dos céus sem fazer-se notar. Devaneia quando percebe ruídos secos vindos da escada, seus olhos desviam, a porta de incêndio abre repentinamente surgindo um calçado semelhante aos ortopédicos complementando-se de um par de pernas azuis comprimindo o corpo que a veste, os olhos cansados percorrem rapidamente a blusa branca colada, que descobre parte da barriga saliente e exalta os seios, batendo em olhos que buscam a liberdade. A boca pequena ampliada pelo batom esboça um sorriso lascivo despedindo-se. Longos cabelos loiros opõem-se as sobrancelhas finas e morenas que recobrem o ansioso olhar verde, o perfume adocicado deixa para trás olhos desejosos ao tomar o rumo da liberdade combinando-se de imediato com os passantes. Seus passos fugidos produzem olhares indistintos, fragmentos de conversas frívolas estimulam seus sentidos, o frescor de pão caminhando pela rua lhe recorda sua fome. Para bruscamente, olha como quem procura algo para ver, cruza seus olhos famintos com as caixas de rodas paradas num sinal e observa duas pequenas crianças sentadas no banco traseiro de uma, sorri e olha para a mulher que está ao volante, recebe um sorriso amarelado e um olhar aflito pela luz verde. Sem vontade de terminar o pequeno atrito entre os filhos, mira-se no espelho e vê pequenas rugas principiarem no rosto, olha pelo pára-brisa e assiste a um formigueiro de pessoas atravessarem as contíguas faixas pintadas na trilha preta, através dos feixes de luzes vermelhas a sua frente vê ao longe o breu tomar conta da cidade, lojas iniciando seu descanso, luzes de casas trabalhando, a cidade tomando outro rumo. Ela se detém num rapaz que lhe parece familiar, atravessando a faixa de tênis, calça jeans escura, moletom azul bebê, com a cabeça pendida para o lado direito, trocam olhares tristes enquanto ele segue seu caminho.
Os cachos angelicais balançam a cada passada, a cabeça levemente pendida para o lado direito, um par de bolas azuis celestes mira o infinito, seu tênis flutua sobre a calçada desfeita, os graves sons de um dinossauro derramando concreto não lhe perturbam, ruma com uma certeza impassível para um destino ignorado, atravessa uma escolha de vida sem olhar para os lados, quando é despertado subitamente ao trocar olhares com um homem de terno que atravessa seu caminho. O homem distinto sorri complacente para aqueles olhos tristes que passam, os ouvidos calados por um fone não vêem os gladiadores berrando com o dinossauro, desvia da selva rumando pela trilha preta, com passadas largas e calmas esquiva-se das bestas motorizadas. Olha o topo dos amontoados de concreto e vê o sol se despedindo, entregando os últimos suspiros de luz. Adentra em um conjunto de ferro, aço e cimento mirando o porteiro que bebe um jornal, ao cruzar seu olhar, diz olá sem dirigir-lhe qualquer palavra e desaparece na caixa que eleva aos céus. Ao bater da porta volta seus olhos para o folhetim, esquecido por caridade de algum habitante, seus pés encerrados em sapatos de segunda linha contorcem e torcem para que termine o dia, novas criaturas passam e desaparecem pelo corredor de granito e pela caixa dos céus sem fazer-se notar. Devaneia quando percebe ruídos secos vindos da escada, seus olhos desviam, a porta de incêndio abre repentinamente surgindo um calçado semelhante aos ortopédicos complementando-se de um par de pernas azuis comprimindo o corpo que a veste, os olhos cansados percorrem rapidamente a blusa branca colada, que descobre parte da barriga saliente e exalta os seios, batendo em olhos que buscam a liberdade. A boca pequena ampliada pelo batom esboça um sorriso lascivo despedindo-se. Longos cabelos loiros opõem-se as sobrancelhas finas e morenas que recobrem o ansioso olhar verde, o perfume adocicado deixa para trás olhos desejosos ao tomar o rumo da liberdade combinando-se de imediato com os passantes. Seus passos fugidos produzem olhares indistintos, fragmentos de conversas frívolas estimulam seus sentidos, o frescor de pão caminhando pela rua lhe recorda sua fome. Para bruscamente, olha como quem procura algo para ver, cruza seus olhos famintos com as caixas de rodas paradas num sinal e observa duas pequenas crianças sentadas no banco traseiro de uma, sorri e olha para a mulher que está ao volante, recebe um sorriso amarelado e um olhar aflito pela luz verde. Sem vontade de terminar o pequeno atrito entre os filhos, mira-se no espelho e vê pequenas rugas principiarem no rosto, olha pelo pára-brisa e assiste a um formigueiro de pessoas atravessarem as contíguas faixas pintadas na trilha preta, através dos feixes de luzes vermelhas a sua frente vê ao longe o breu tomar conta da cidade, lojas iniciando seu descanso, luzes de casas trabalhando, a cidade tomando outro rumo. Ela se detém num rapaz que lhe parece familiar, atravessando a faixa de tênis, calça jeans escura, moletom azul bebê, com a cabeça pendida para o lado direito, trocam olhares tristes enquanto ele segue seu caminho.
Formação de Escritores novamente
Irei postar alguns dos textos produzidos durante o curso de formação de escritores realizado pelo SESC. Antes disso irei colocar aqui os textos do ano passado que estão agora impressos no livro Objetos Embutidos, livro este que foi lançado devido ao curso do ano pasado. Uma coletânea de 2 texto de cada autor.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Você
Postado diante da janela de seu apartamento no topo da avenida Leonardo da Vinci, Pedro Augusto via a cidade se derramar aos seus pés. Olhando ansiosamente para aquele céu de junho podia sentir as nuvens alaranjadas correndo com o bafo gelado. Não demoraria muito para que as gotas lavassem o solo daquela redoma com pouco mais de 60 mil almas. Tentando esquentar as mãos dentro do bolso do terno, esfriadas ao preparar o uísque com gelo, escutou a caixa de elevação aos céus apitar. O suntuoso apartamento permitia o desembarque do elevador diretamente na sala de visitas. Os passos sobre a madeira aproximaram-se vagarosamente ampliando a aflição. Ao sentir o vulto a suas costas virou-se defronte a sombra e indagou:
-Você?
-Você?
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Curso e textos
Após participar do curso de Formação de Escritores no Sesc modifiquei um texto já postado aqui. Espero que tenha melhorado hehehe e um texto novo
Estação Cinza
Chaminés fumegando
Cheiro da lenha queimando
O chiado da chaleira esquentando
Aquece o corpo e acalma
Da xícara, vapor de café exala seu aroma
Fragmentos de sol nas nuvens
Luz e sombras no horizonte
Espetáculo de cor alaranjado cinzento
Vento uivando, andar frenético
Arrepios, Corpos rijos
Não vêem, Não sentem
Luz
Café
Chaminé
Apenas vento, ar gelado.
Sentidos
Sem saber porquê
Sentir apertar o peito
Numa angustia de querer (2x)
A alegria num olhar
Sem endereço (2x)
Um beijo jogado ao vento
O coração acelerar (2x)
No abraço companheiro (2x)
Um tropeço enfrentar (2x)
Nos caminhos refeitos (2x)
De mãos dadas passar (2x)
Estação Cinza
Chaminés fumegando
Cheiro da lenha queimando
O chiado da chaleira esquentando
Aquece o corpo e acalma
Da xícara, vapor de café exala seu aroma
Fragmentos de sol nas nuvens
Luz e sombras no horizonte
Espetáculo de cor alaranjado cinzento
Vento uivando, andar frenético
Arrepios, Corpos rijos
Não vêem, Não sentem
Luz
Café
Chaminé
Apenas vento, ar gelado.
Sentidos
Sem saber porquê
Sentir apertar o peito
Numa angustia de querer (2x)
A alegria num olhar
Sem endereço (2x)
Um beijo jogado ao vento
O coração acelerar (2x)
No abraço companheiro (2x)
Um tropeço enfrentar (2x)
Nos caminhos refeitos (2x)
De mãos dadas passar (2x)
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